quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

"Não será então que o meu cinema é o vício da minha alma?" (*)

O Cineclube de Faro está vivo e continua altamente recomendável. A sala onde retoma as sessões (do ciclo a que chamou “Eles vivem! (e nós também!)”) a partir de depois de amanhã foi re-equipada, tem som e imagem muito melhores do que antes. O programa começa em grande: são três dias seguidos de cinema português.
 (*) Manoel de Oliveira, há quase dois anos.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

O Reboliço colecciona calendários (12)

 
(Fotos da frente e do verso de um único calendário de bolso, feitas com o PhotoBooth: Reboliço. Na de cima, mal se vêem, mas estão lá "110 passarinhos em completa liberdade". 110 como o número do Rossio onde fica, ainda hoje, a Camisaria Moderna.)

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Escrever, escrever, escrever, escrever, escrever (6)

Com um editor diferente.

(Foto da couroupita guianensis
comummente conhecida como abricó-de-macaco
nos jardins do MAM/Rio
invenção de plantio de Roberto Burle Marx
perigo constante sobre as cabeças de quem lá passa: Reboliço.)

alta praia

...

Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga.
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Escrever, escrever, escrever, escrever, escrever (5)

Sabendo as regras e conhecendo o uso.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Desembarcar em Veneza

A Dafne tem mais uma sebenta de História da Arquitectura, sobre Pietro Lombardo. É o décimo terceiro na colecção preparada por Domingos Tavares. Além da promessa de um belo livro, a Dafne, como o Reboliço, gosta pouco de bulício e anuncia: "Quando estiver ultrapassada a complexa fúria que a vizinhança do Natal imprime às livrarias, em Janeiro, o livro será objecto de duas apresentações públicas."

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

O Reboliço recebeu a primeira prenda de Natal - e não esteve sozinho


(Início do romance inacabado de Albert Cossery, Une Epoque de Fils de chiens
É um belo título, pensa o Reboliço, que nunca tinha lido sequer uma palavra do autor. 
A editora Antígona ofereceu hoje este presente aos seus leitores.)

domingo, 29 de Novembro de 2009

Amanhã


(Foto da página inicial da entrevista de Alexandra Lucas Coelho a 
Margarida Martins Cordeiro e da foto de Nelson Garrido que mostra que ela 
é amiga: Reboliço. A versão digital das duas pode ser vista aqui. Obrigada, A.)

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

 
(Foto do moço a escolher os melhores, de todos os pimentinhos e pimentões, para mostar na banca da Rua Conde de Lages, com os alhos e as folhas de luro apagados pelo sol: Reboliço. O cheiro do peixe surpreendeu-o pela manhã, mas o que o arrebatou foi o modo cuidado da disposição dos produtos. Havia outro homem a abrir e a desmanchar uma jaca, fruto gigante e de cheiro enjoativo, de tão doce - assim para o lado da chila, mas com uma casca como se fosse um medronho de cor verde e inchado até cem vezes o tamanho normal.)


quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Incorporated

O Reboliço ouve as gargalhadas do Rafa, enquanto a voz de 2Damon Albarn vai cantando "Moinho, moinho para a terra".

Passeio público

O Reboliço caminha sobre a relva meio cortada de uma placa de verde entre a Avenida Beira-Mar e a Avenida Infante Dom Henrique. À sua frente, encostado ao tronco de um coqueiro, o funcionário municipal lê a secção de anúncios de um jornal qualquer que achou por ali. O saco verde e o pica-papéis descansam aos seus pés. O Reboliço desvia o passo para não calcar o corpo inerte e inchado de uma ratazana, pedra acinzentada com cauda entre as folhas do capim - e logo desde ali,  erguendo os olhos, descobre outro aparente cadáver, maior e castanho, deitado do lado de cá da rede de um parque de estacionamento. Enquanto avança e se aproxima, vê que alguém dorme só meio vestido. As pernas, longas e nuas, repousam uma sobre a outra; os braços estão postos sobre a roupa curta que mal cobre o tronco. A pele escura amacia na base dos pés cruzados e brilha de um extremo ao outro. É um corpo feminino, na graça com que jaz aquele homem alto e adormecido, para lá das raízes que meio-saem da terra, dos côcos caídos antes de amadurecer e do cantar dos bem-te-vi.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

- Reboliço, mas que azáfama é essa? Nem parece teu.
- Tira-te daqui, Luca, vá, desabelha. Vai lá deixar pêlo noutro lado, que estou a varrer as Cartas.
- Vou é contar ao Petaner e ao Sorna. Até se vão assustar!

O Reboliço colecciona calendários (11)


(Foto dos quatro calendários de bolso, alinhados na parede do quarto da pensão na Lapa, junto a dois cinzeiros de vidro: Reboliço. A parede, a pedra, os cinzeiros, o calendário, tudo do mais bonito desenho contemporâneo.)

domingo, 22 de Novembro de 2009

Ne Change Rien

Uma das coisas de que gosto mais em Ne Change Rien é o susto de ver aparecer uma janela luminosa que dá para a rua e para o dia, quando tudo o que se passa do lado de dentro do estúdio está, como em grande parte das imagens de Pedro Costa, obscurecido. Isso, não perceber se dois pontos brilhantes que não páram de se mexer são os botões de uma guitarra eléctrica ou os olhos de um gato grande que anda por ali, e a tortura de Kris Jensen em modo Jeanne Balibar.

Não mudes nada

(Post dedicado, só para lembrar que faz quarenta e um anos que saiu um disco branco.)

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

O Reboliço é um nefelibata (19)


Para o PAI, que nasceu no Moinho, hoje há quase vinte anos.



(Foto das nuvens sobre o Moinho, no final de 2008: Vasco Célio. Pela janela de cima, encostada ao telhado, passa um fiozinho de luz. Não é o fim do dia, são as nuvens que o fazem escurecer mais depressa ainda do que o horário de Inverno. Cá sobre o baixo, a erva da seara está verde, verde.)

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Sobre o que é um blogue

(Excurso de Errol Morris, só ligeiramente desviado do seu assunto mais recente, o carácter mais ou menos verdadeiro das fotografias. É uma discussão que passa também pelo trabalho de Edgar Martins.)

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Lírica...

"Penso que ela pensava que a máquina fotográfica era a minha boca, o que é o sonho de todos os fotógrafos."
A bichinha achou que ele era um predador desajeitado, e vá de lhe dar pinguins a comer.)

sábado, 14 de Novembro de 2009

O trabalho que dá entender um cão

I got my black dog barkin'
Black dog barkin'
Yes it is now
Yes it is now
Outside my yard
Yes, I could tell you what he means
If I just didn't have to try so hard


quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Tourigamor

O Cunhadão diz: "Faz um filme chamado Estradas Paralelas e depois eu faço um documentário Tourigamor."

As Praias d'Agnès

Uma das coisas de que mais gosto em Les Plages d'Agnès é o modo como o cabelo de Agnès Varda serve de cronómetro. Mede o tempo e mostra a montagem: o que veio antes e o que foi filmado depois. Todo tingido, início ou final; coroa a embranquecer e ainda ruivo desde meio, a fazer dela um frade capuchinho, metade; só as pontas já pintadas, sem que o resto prateado lhe tire o ar agarotado, final ou início. Isso, e o ela explicar que foi por imperativo estético que, em Jacquot de Nantes, filmou, "proche, serré", a pele, os fios de cabelo, o olho de Jacques Demy a morrer de SIDA - porque, enquanto realizadora, não podia deixar de o fazer.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Camilla Watson


(Foto das fotografias de Camilla Watson metidas em estuque sobre 
paredes degradadas da Mouraria, em Lisboa: Reboliço. Obrigada, Dona Angelita!)

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Primeiro, isto.

Agora, isto.
(António Reis está em alta - mas, como lembra Alexandra Lucas Coelho, continua a não haver edição em DVD de Trás-os-Montes, um dos filmes mais fugidios da história do cinema português. Nem de Jaime. Nem de Ana. Nem de Rosa de Areia.)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Venha o Diabo?

O Reboliço pensa que prepotência e paternalismo não são mesmo a mesma coisa. "Porque será?," pergunta-se, erguendo as orelhas e o focinho. Nem uns segundos depois, volta a assentar a cabeça sobre as patas da frente, cheira o ar ainda fresco da manhã, e suspira. "O prepotente tem uma ideia errada de si mesmo - abusa da autoridade porque se julga nesse direito. Mas o paternalista, muitas vezes um pobre prepotente, faz também uma ideia errada do outro; engana-se no que é e no que vê." No seu pensamento, um bom acto de prepotência é preferível a qualquer, ainda que brando, paternalismo.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

De baixo para cima






(Fotos do fungo que, visto de cima, parece esferovite: Reboliço. 
Esferinhas rápidas. Casinhas dos gnomos, manos. Aldeia de strumpfes, sim, cunhadão.)

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Oh...

Ao cair da folha, até os mais resistentes têm de cair.
(Os fins podem ser felizes, e Todd May explica porquê. Obituário aqui.)

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

(os cães arrepiam-se?)

Actualização: Pelos vistos, uma compilação das suas escolhas. Mas não com a sua voz.
ACTUALIZAÇÃO - A partir da uma da tarde, daqui a bocado, emissão especial na RADAR. Pode-se ouvir por aqui. Com a voz dele. E aqui 500 temas rebeldes que o fizeram mostrá-la.)

domingo, 1 de Novembro de 2009

Oh...

(O Reboliço não sabe o que dizer. No blogue O Jansenista foi encontrar umas linha próximas do que poderia ter dito. Se o Vasco Granja o ajudou a moldar o sistema de focagem ocular, foi muitas vezes o António Sérgio a afinar-lhe o mistério que vai dentro dos ouvidos de um cão. Haverá CDs ou streams, ou lá o que é, ou MP4-5-6, com os registos da sua voz, disponíveis para quem quer que seja e para o Reboliço a fazer ouvir, por exemplo, ao pequeno Matias?)

sábado, 31 de Outubro de 2009

Anéis de prata eram de lata.

A tia Patrocínia lembrou mais uma personagem da aldeia: Mestre Lino, o latoeiro. Fazia cafeteiras, regadores, formas para fazer queijo, tabuleiros de lata para os bolos, alguidares de zinco. "E dava-nos anelinhos. Anéis de prata eram de lata." A tia conta como iam todas contentes com os anéis que o Mestre Lino lhes fazia.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Bolinhas de esferovite


(Foto dos fungos junto de uma árvore na horta das Termas de Monfortinho: Reboliço. 
O Reboliço queria saber se se chama "esferovite" ao esferovite por serem 
esferinhas que se mexem muito depressa. 
E quer saber que nome têm estas criaturas tão curiosas que, 
vistas de cima, fazem lembrar as tais bolinhas.)

António Reis > Pedro Costa

Ora vejam se a isto não se poderá chamar um passo em frente:


(Foto do anúncio no caderno "ípsilon" do Público de hoje: Reboliço. 
À atenção do Paulo, e do Daniel, e da Carolin, e da Anabela, 
e da Graça, e da Cris, e do Rafa, e  da Marina, e da Alda, 
e do Jean Pierre, e do Telmo, e do Manuel, e da Ana, 
e do Wiliam, e da Fernanda, e do Mauro, e do Tiago, e da Patrícia. 
Ena, já somos uns quantos! A imagem amplia, para se ler melhor.)

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Dos antepassados

     A tia Patrocínia leva para o quarto pedacinhos de pão. Atira-os da janela: "São para os pardais, que são meus parentes," explica. "O meu avô, Manuel Joaquim Pardal, era o que não acreditava em bruxas. Era casado com a avó Patrocínia, que foi de quem eu tive o nome, e era a mãe do teu bisavô, José Manuel Pardal, que casou com a tua bisavó Júlia, a minha mãe, mãe da tua avó Mariana e de quem a tua mãe teve o nome.  Um dia, estava o Manuel Joaquim a dormir, apareceram-lhe duas bruxas e procuraram-lhe: 'Manuel Joaquim, acreditas em bruxas ou não acreditas?' E ele disse-lhes assim: "Deixem-me da mão. Vão ali falar com a minha Patrocínia, que ela dá um alqueire de trigo a cada uma.' Então elas foram e deixaram-no sossegado. Eram as duas bruxas. Pois. E a minha avó Patrocínia também não acreditava em bruxas nem em padres, nem em benzeduras. Era uma pessoa já muito moderna."
     O Reboliço ouve as palavras da tia e, com as histórias dos Pardais e daquela Patrocínia que enxotava bruxas com alqueires de trigo, ficou a pensar num vale perdido do outro lado do Atlântico, num homem de apelido Van Winkle, num tempo que já não existe e que a tia Patrocínia nunca conheceu.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

O Rafael e o nitrato do Chile


(Foto do Rafael, o catavento do Moinho, enquanto esperava por ser reposto no cimo do telhado: Reboliço. O Reboliço já uma vez tinha dado conta da razão para o Rafael se chamar assim. Recentemente, soube de onde vem a sua figura: a mão de Adolfo López-Durán Lozano desenhou a silhueta de um homem a cavalo para publicitar uma companhia de nitratos; o avô passou-a para papel, deu-lhe barba e um ar mais baixo, a fazê-lo parecer-se consigo mesmo a entrar na velhice, e mandou-o fazer, de cavalo completo, em ferro. O Reboliço olha para o alto, a contemplar o contemplativo, e procura-lhe as diferenças.)


(Foto do anúncio em azulejo, numa parede à entrada de Penamacor: Reboliço. 
O pai assegura que a montada do homem é gado muar.)

Escrever, escrever, escrever, escrever, escrever (4)

Mas escrever mal?

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

I Walked With A Zombie

Uma das coisas de que mais gosto em I Walked With a Zombie é a maneira esparsa como o céu se vai cobrindo de nuvens, quase sempre de noite.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Cem Mil Cigarros



(Foto da capa do livro sobre Pedro Costa: Reboliço. 
O Reboliço fumava os derradeiros quando percebeu que 

domingo, 25 de Outubro de 2009

Mês Contra o Cancro da Mama (5)